A noite amanhece e o dia não chega. Azul de tão triste e frio como o sol. O copo na pia, o pó na mobília, os passos no escuro. Andando nas ruas, carros, pessoas. Suor desce a testa e frio sobe a espinha sirenes, buzinas, coisas se quebrando. Remédios e horários, cartazes e livros. O ar ressecado garganta raspando, o juízo em seu dia, flagelo na carne. Histórias antigas, as mesmas pessoas, o eterno retorno. Dentro de uma sala, um dia comum, um lugar qualquer. Bocejo e enfado, ódio e tristeza. Não faz diferença chegar ou partir. É tudo incerto por ser inseguro e ainda ser óbvio. Não faz mais sentido, não há direção. Indeciso, impreciso, seja sim, seja não. Resta seguir que não dá pra evitar. Sonhar acordada, uma realidade, universos quaisquer. Lembrança, esperança, no fundo dos olhos. O perfume, os cabelos, imagens e cores. Na pele, na mente, nos dedos. Pensar em você, olhando as vitrines, comendo a salada, relendo as notícias. Apenas dormir, um filme qualquer. O destino abre os braços, tropeçar, se perder. Tentar esquecer. Calar e escrever. Nunca desistir, só por você. Atrasando os relógios, ao redor das pessoas, da palidez dos olhares, sob o chumbo das nuvens. Sonhar te encontrar, no meio da rua, debaixo da chuva, no fim de uma tarde...
L.