sábado, 19 de junho de 2010

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Às vezes bate uma insegurança quanto às coisas que tenho em mente e no corpo, no que faço ou deixo de fazer; de um instante a outro, andar sobre as águas e sequer conseguir levantar da cama; ter idéias geniais, mas não resolver problemas simples.

Já abri mão e pé de tanta coisa, meus princípios tiveram fim.
Um diálogo forçado, truncado, trincado, cheio de lugares-comuns, vagares trocados, distância de tanto silêncio, de tanto estio no dito pelo desdito. Detrito ou delito, desculpa para as culpas, tiros que não executam as mentiras.


L.

sem titulo

A noite amanhece e o dia não chega. Azul de tão triste e frio como o sol. O copo na pia, o pó na mobília, os passos no escuro. Andando nas ruas, carros, pessoas. Suor desce a testa e frio sobe a espinha sirenes, buzinas, coisas se quebrando. Remédios e horários, cartazes e livros. O ar ressecado garganta raspando, o juízo em seu dia, flagelo na carne. Histórias antigas, as mesmas pessoas, o eterno retorno. Dentro de uma sala, um dia comum, um lugar qualquer. Bocejo e enfado, ódio e tristeza. Não faz diferença chegar ou partir. É tudo incerto por ser inseguro e ainda ser óbvio. Não faz mais sentido, não há direção. Indeciso, impreciso, seja sim, seja não. Resta seguir que não dá pra evitar. Sonhar acordada, uma realidade, universos quaisquer. Lembrança, esperança, no fundo dos olhos. O perfume, os cabelos, imagens e cores. Na pele, na mente, nos dedos. Pensar em você, olhando as vitrines, comendo a salada, relendo as notícias. Apenas dormir, um filme qualquer. O destino abre os braços, tropeçar, se perder. Tentar esquecer. Calar e escrever. Nunca desistir, só por você. Atrasando os relógios, ao redor das pessoas, da palidez dos olhares, sob o chumbo das nuvens. Sonhar te encontrar, no meio da rua, debaixo da chuva, no fim de uma tarde...



L.

00:21

O tempo está feio lá fora e sinto que hoje poderia escrever para sempre. Não sei por quê, mas estou com uma ousadia absurda e uma inquietude de dizer qualquer besteira. E a verdade é apenas uma: sou contra a censura e isso me faz bem. Não quero nada que soe suave, bonito, não quero nada que precise de revisão, não quero nada que mostra apenas um foco de visão: quero escrever sem ter fim, quero dizer sem ter motivo, quero inventar por inventar e isso me basta. Palavras são minha companhia e não tenho preconceito: frases feias ou bonitas, de qualquer raça, cor, crença, fonte e tamanho, quero todas aqui. Por que o tempo lá fora está feio e, por aqui, apesar do frio, tudo está bonito. Palavras me colorem e me escrevem. Olho pela janela e entendo. Apesar de difícil, é simples o mundo. O céu parece mais claro e até o cinza me traz um tom diferente: é só um novo jeito de ver. Ou de me sentir. De te sentir...


L.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

21:50

Ontem:

Estou naqueles momentos silenciosos em que pouca coisa parece fazer sentido. Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.

Hoje:
Estou naqueles momentos silenciosos em que nada parece não ter sentido. Sigo a vida conforme o roteiro que eu sempre quis, sou quase anormal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono a felicidade em mim. Eu quero uma vida pequena, um amor pequeno que caiba no meu coração, uma alegria que caiba dentro da bolsa, do quarto, do sorriso meu e teu, sorriso de dois, de quatro. Eu quero mais que isso. Quero o que vejo. Quero o que entendo. Não quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas e hoje não os uso mais pois achei o meu Norte. Por isso, não me venha com superfícies, nada fundo me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no finito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado e continuar... aqui.





" Eu me lembro de janeiro
 Quando o sol me deu você
 Meu presente de ano novo"



E hoje com serenata e tudo....
*R. tu é pra sempre,



L.

terça-feira, 15 de junho de 2010

hoje




"O que trago sobre os ombros
 É meu e é só meu
 Sustento sem implorar a benção e o pesar
 Mais vil é desdenhar
 do que não se pode ter..."


Existe uma certa beleza em não falar. Dizer as coisas é meio vulgar, desnecessário. O que a gente tem lá dentro é tão melhor, mais bonito e até maior quando fica lá dentro mesmo, protegido, a salvo. Não sei se é o calor, o sol, o vento ou tom da nossa voz, mas tem algo que estraga a poesia quando a boca coloca ela pra fora. Acho que é por isso que o meu lado que sente não conversa com o meu lado que fala. O que sai de um e o que sai do outro são de uma diferença absurda. Um lado simplesmente trai o outro. Por isso, eu escrevo, porque me escutar é algo completamente inútil.
 
 
 
L.

domingo, 13 de junho de 2010

quem ri por último....




Pois é, aqui se faz, aqui se paga, já diria um velho ditado. Sinto que um sentimento vingativo surge nos corações Gremistas. Valeu a pena esperar, pois eu ri muito com essa noticia. Obrigada Carvalho por me fazer ter ótimas gargalhadas e parabéns pelo novo tecnico do Inter, boa sorte colorados, haha.



XX

L.



terça-feira, 8 de junho de 2010

escuro

Viver tinha que ser assim igual a subir no alto de uma montanha e ficar de braços abertos no vento. Mas não é.

Silêncio. Eu amo o silêncio. E o escuro. Ambos são feitos da mesma matriz: ausência. De madrugada, bom é ficar andarilhando pela casa, ambas imersas no breu, meus olhos aos poucos se acostumando ao escuro. É só ter paciência e esperar, em silêncio, até sentir a respiração pesada da casa. Se você conseguir respirar junto com ela é porque descobriu o ritmo da noite. Então você consegue sentir o calor desprender-se das paredes da sala que o sol castigou o dia inteiro, descobre os gritos escondidos entre os tijolos, os sorrisos e gozos que o cômodo testemunhou. E aí você percebe o quanto de barulho cabe num silêncio. E o tanto de luz que se esconde por trás da escuridão.



L.