terça-feira, 8 de junho de 2010

escuro

Viver tinha que ser assim igual a subir no alto de uma montanha e ficar de braços abertos no vento. Mas não é.

Silêncio. Eu amo o silêncio. E o escuro. Ambos são feitos da mesma matriz: ausência. De madrugada, bom é ficar andarilhando pela casa, ambas imersas no breu, meus olhos aos poucos se acostumando ao escuro. É só ter paciência e esperar, em silêncio, até sentir a respiração pesada da casa. Se você conseguir respirar junto com ela é porque descobriu o ritmo da noite. Então você consegue sentir o calor desprender-se das paredes da sala que o sol castigou o dia inteiro, descobre os gritos escondidos entre os tijolos, os sorrisos e gozos que o cômodo testemunhou. E aí você percebe o quanto de barulho cabe num silêncio. E o tanto de luz que se esconde por trás da escuridão.



L.