segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Texto nº 3

" Do lado do copo já vazio o celular aponta uma mensagem. Alguém convidando pra ver um filme, pra ir pra algum bar, jantar algo, pra ver a noite, pra trepar, pra ficar mentindo a rotina ou pra driblar ela. Mas tu não quer sair. Só de pensar em tomar banho e não colocar um pijama depois te dá vontade de dormir ali mesmo no sofá, ou de gritar alguma obscenidade engraçada. A ameaça de ter que se divertir lá fora te soa como uma gripe, essas que te deixam de cama por uma semana. Ou como um bilhete de loteria que não te dá o prêmio por uma porra de número que tu erra.
E sabe de uma coisa? Tu erra sempre, tu adora errar. Erra com classe, mas te prende no erro como um vício bobo. Tempera mais o acerto, fica dizendo pra ti mesma, com um sorriso idiota no rosto e as mãos atrás entrelaçadas, admirando alguma travessura formal demais pra ter um nome só... Júlia! "