terça-feira, 20 de julho de 2010

texto nº 1

A distância,
ela sempre teve medo da distância. Sempre que pode, a evitou.
Evitava deixar sua bolsa longe das mãos, evitava deixar o celular em um lugar inalcançável.
Mas a distância dos objetos era fácil de ser controlada. E as pessoas?
A distância começa quando a saudade engrandece. Pensava ouvir passos, pensava ouvir vozes sussurrando. Tudo na cabeça dela, a distância enlouquece.
Pensar que ela, coitada, a evitava desesperadamente, acabou por dormir abraçada num vazio que não se explica, na distância do toque.
De sentir e se enrolar, se perder nos teus cabelos, no gosto dos teus lábios. Ela já nem lembrava mais, já não tinha mais o que dizer, na distância das palavras.
Palavras que se esvaem, flutuam e submergem. Ela era solidão.